Transtornos neurológicos funcionais: um guia para pacientes

incluindo crises não-epilepticas  doenças do movimento funcionais e outros sintomas funcionais

Hemi

neurosymptoms.org

Espasmo facial funcional

 

Pacientes com sintomas neurológicos funcionais podem ter a face afetada. Eles são muito mais comuns do que se pensava até 10 ou 15 anos atrás, embora na verdade eles tenham sido reconhecidos durante mais de um século.

 

Espasmo facial/ distonia funcional

O tipo mais comum de sintoma facial funcional é o espasmo dos músculos ao redor dos olhos ou na metade inferior do rosto.

 

Espasmo facial funcional tipicamente ocorre por episódios e afeta apenas metade do rosto. Os músculos ao redor dos olhos (chamados orbicular dos olhos) contraem em espasmo, o que leva ao estreitamento da abertura do olho e deixando a sobrancelha mais baixa no lado afetado (veja as imagens abaixo).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o espasmo facial funcional afeta a metade inferior do rosto, o canto da boca pode ser puxado para baixo e, às vezes, a mandíbula também é puxada (veja as fotos abaixo). A boca é puxada para baixo por causa do espasmo de um músculo chamado platisma – este é o músculo que todos nós temos sob a pele na frente do nosso pescoço.

 

Mais raramente o canto da boca pode ser puxado para cima. A foto à direita acima é de 1918 e é de um soldado da primeira guerra mundial com “choque de Shell” que tem espasmo facial funcional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agradecemos aos pacientes que cederam as suas fotos para este site.

Você pode escutar a história da Lucy descrevendo os seus sintomas neste programa da “Inside Health”, da  BBC Radio 4.

 

Estas fotos mostram a mandíbula da Lucy sendo puxada para o lado direito da sua boca. Além disso, ela tem espasmo do músculo platisma à direita, que está puxando o lábio para baixo desse mesmo lado.

 

Clique no vídeo abaixo para ver Lucy contando sobre o seu espasmo facial. Ela também tinha alguns pontos de fraqueza nos braços e nas pernas, que está disponível na página do

Snapshot 1 (30-06-2013 22-16) Snapshot 2 (30-06-2013 22-17) Snapshot 3 (30-06-2013 22-18) Pseudoptosis

Os médicos que não conhecem o espasmo facial funcional podem interpretar estes sintomas como sendo um possível AVC

Face treatment factsheet face Functional Facial Spasm Maria Maria tongue

Quando a boca é puxada para baixo, pode originar uma aparência assimétrica que é muitas vezes erroneamente interpretada como paresia facial. Os médicos que não conheçam o espasmo facial funcional podem interpretar os sintomas como sendo os de um acidente vascular cerebral, embora o primeiro seja um problema com hiperatividade muscular e não por paresia, como tipicamente ocorre num acidente vascular cerebral.

 

O espasmo facial funcional pode acontecer isoladamente, mas também é comum ter algum outro sintoma descrito neste site, especialmente fraqueza funcional dos membros. Se a fraqueza funcional do membro estiver presente, esta é quase sempre do mesmo lado do espasmo facial, um fato que interessa aos cientistas que tentam entender a base dos sintomas neurológicos funcionais no cérebro.

 

Embora a maioria dos episódios de espasmo facial funcional dure minutos, eles podem durar horas ou, em casos raros, ficar quase que permanentemente.

 

Às vezes, a língua também pode estar envolvida no espasmo. Geralmente, se isso acontecer, quando a língua é estendida (pedindo ao paciente para colocá-la para fora), ela aponta para o mesmo lado do espasmo facial.

 

Os vídeos abaixo são publicados com a generosa permissão de Maria, que tem um espasmo facial funcional persistente no lado direito do rosto. Ela também tem episódios de espasmo intermitente no lado esquerdo que podem ser induzidos pela contração dos músculos faciais.

Como é feito o diagnóstico?

 

É importante que o médico que faz o diagnóstico esteja familiarizado com as outras causas de espasmo facial. Uma das principais diferenças é que o espasmo típico das condições listadas abaixo geralmente é bastante breve (ou seja, com duração de segundos), enquanto no espasmo facial funcional a hiperatividade dura alguns minutos ou mais. Existem outras diferenças que um neurologista experiente pode buscar, como o padrão de espasmo, fatores desencadeantes e sintomas associados.

 

Outras condições que causam espasmo nos músculos faciais que NÃO são classificados como distúrbios funcionais incluem:

 

a. Paresia facial funcional: 

Isso é raro. Uma das situações em que ela pode ser vista é quando alguém tem uma alteração funcional da fala. Alguns pacientes acham que não conseguem fechar a boca adequadamente quando falam e isso pode ser interpretado como paresia facial.

 

b. Pálpebras caídas ou fechadas funcionais (ptose):

No espasmo facial funcional, embora o músculo ao redor dos olhos seja hiperativo, a pálpebra em si não é afetada. Mas às vezes uma pálpebra caída, chamada ptose, pode ser o resultado de um transtorno neurológico funcional. Um cuidado especial é necessário para fazer o diagnóstico, pois há muitas causas de ptose, como miastenia gravis, pele frouxa nas doenças da pálpebra e outras.

 

Ocasionalmente, as pálpebras, em vez de estarem fracas como na ptose, podem ficar fechadas e dificultar a abertura do olho. De longe, a causa mais comum disso é uma condição chamada blefaroespasmo, que é um transtorno do movimento que não se relaciona com transtornos funcionais. Mas raramente esse sintoma pode ocorrer como um transtorno funcional. Pode ser particularmente incapacitante, pois, obviamente, se ambas as pálpebras estiverem fechadas, a pessoa que está passando por esse sintoma não poderá enxergar bem.

 

Mais uma vez, a especialização, de preferência de um médico familiarizado com as manifestações do blefaroespasmo, é essencial.

 

 

Tratamento do espasmo facial funcional

 

Pode fazer diferença para algumas pessoas saber que o problema é a hiperatividade muscular e não a paresia.

 

Reconhecer pontos de gatilho, como alongar os músculos do rosto ou, em alguns casos, diminuir a sensibilidade à luz, pode ser útil.

 

Se os movimentos anormais são desencadeados pelo “alongamento” dos músculos faciais, pode ser tentador evitar essa atividade. No entanto, em vez disso, pode valer a pena tentar induzir o movimento deliberadamente, de modo que o seu cérebro possa ficar “insensível” a ele, de uma maneira controlada (em vez de ficar à mercê de episódios aleatórios). Da mesma forma, se a sensibilidade à luz é a questão, então, gradualmente, expor o olho a mais e mais luz pode ser benéfico.

 

Ao contrário de algumas formas de distonia, as injeções de Botox não parecem ter utilidade no espasmo facial funcional.

 

É bastante comum que pacientes com espasmo facial funcional apresentem outros sintomas funcionais, especialmente fraqueza funcional dos membros. Em alguns pacientes, a compreensão do diagnóstico parece ajudar a “reciclar o cérebro”, que desenvolveu movimentos anormais em relação aos movimentos faciais (veja o diagrama abaixo).

Espasmo facial persistente no lado direito

 

Um episódio de espasmo facial do lado esquerdo